sábado, 21 de janeiro de 2012

MP apura denúncia de irregularidades no tratamento de esgoto

MATÉRIA EXTRAÍDA DO JORNAL CRUZEIRO DO SUL 21.01.2012

Laudo aponta que líquido sai da ETE mais poluído do que na captação - Por: Erick Pinheiro

Notícia publicada na edição de 21/01/2012 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 5 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

O promotor de justiça Luiz Alberto Meirelles Szikora instaurou inquérito civil para apurar denúncias de irregularidades no tratamento de esgoto doméstico e efluentes industriais na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Votocel, em Votorantim. Szikora abriu prazo de 20 dias úteis para receber informações sobre o assunto por parte da Prefeitura, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e da Fábrica Alpina, voltada à indústria têxtil. A empresa está incluída nesta relação porque ela foi autuada pela Cetesb no ano passado em razão de despejo de efluente químico na ETE.

A medida anunciada por Szikora foi tomada a partir de denúncias encaminhadas pelo vereador Fernando de Oliveira Souza (DEM), filho do ex-prefeito Zeca Padeiro. Em relatório enviado ao Ministério Público, Fernando demonstra que a água que sai da ETE da Votocel é mais poluída do que o esgoto captado e e esse resultado compromete diretamente o rio Sorocaba. Ele toma por base a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO),medida de padrão de qualidade usada para medir a poluição de águas. O vereador lembrou que, de acordo com relatório do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), o esgoto entra na ETE com DBO de 4,1 e sai com 14,8, segundo medição feita em 11 de setembro de 2011.

Fernando também contratou a empresa Hidrolabor para fazer uma avaliação técnica da água no ano passado. A conclusão foi de que o material retirado para análise a jusante da ETE registrou DBO equivalente a 15 miligramas por litro - número três vezes maior em relação ao valor máximo permitido pela legislação ambiental. O vereador acrescenta que a Fábrica Alpina não recolhe nenhuma taxa ao Saae para uso da ETE. Na análise de Fernando, "há evidentes questões ambientais que devem ser solucionadas". Como exemplo, ele citou o despejo dos efluentes da ETE no rio Sorocaba. Ele disse que questões econômicas também devem ser apuradas, como a perda de receita do Saae em favor da Fábrica Alpina.

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